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Bill Schoening, Vanessa Harvey/REU program/NOAO/AURA/NSF
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Nossa vizinha, a galáxia de Andrômeda, que algum dia deverá
colidir com a Via Láctea, parece ter um longa história como devoradora de
companheiras menores.
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Um levantamento extremamente detalhado de Andrômeda ─ que como galáxia espiral mais próxima é uma
boa aproximação de nossa própria galáxia ─ mostra reminiscências de galáxias menores que
nossa vizinha parece ter canibalizado.
O Levantamento Arqueológico Pan-Andrômeda ainda não está completo,
mas já produz resultados científicos como os publicados na semana passada na
Nature. A observação de Andrômeda em alta resolução fornece mais uma
confirmação para a teoria mais aceita do crescimento galáctico: galáxias
gigantes se alimentam de companheiras menores para atingir as dimensões que
exibem atualmente.
A investigação, baseada em observações feitas pelo telescópio do
consórcio Canadá-França-Havaí, no pico do Mauna Kea, no Havaí, é liderada
pelo astrofísico Alan McConnachie, pesquisador associado do Instituto de
Astrofisica Herzberg, do Conselho Nacional de Pesquisa do Canadá, em Vitória,
Columbia Britânica.
Os astrônomos adoram estudar Andrômeda, em parte, por causa da sua
proximidade ─ a 2,5 milhões de anos-luz de distância, está
suficientemente perto de nós para que suas estrelas
possam ser observadas individualmente. E Andrômeda pode ser observada na sua
totalidade, o que não acontece com a Via Láctea, onde estamos profundamente
mergulhados. “É muito mais difícil tentar descobrir como é uma cidade, se
você estiver dentro dela”, comenta McConnachie. Além disso, acrescenta,
comparada a outras galáxias do Universo, Andrômeda parece se uma espiral
típica. Assim, desvendar a história de sua formação pode ajudar os astrônomos
a entender como funcionam os processos galácticos gerais.
A teoria cosmológica dominante defende que as galáxias crescem por
processos de acreção ─ canibalizando galáxias menores e incorporando
suas massas em uma aglutinação sempre crescente. De acordo com observações
semelhantes da Via Láctea, o levantamento de
Andrômeda encontrou um tipo de registro arqueológico desse processo:
remanescentes fossilizados de galáxias devoradas.
“Essa é nossa ideia de como as galáxias se formam, e como isso se
relaciona com a fusão de galáxias menores”, observa McConnachie. “E, se isso
de fato ocorrer, então, se olharmos para uma vasta área em torno de uma
galáxia, poderemos ver os remanescentes do seu processo de formação.” Esses
resquícios, que McConnachie chama de “restos semidigeridos de galáxias anãs”,
assumem a forma de longos filamentos difusos de estrelas ─ antigos agrupamentos galácticos que foram
esgarçados pela forte atração gravitacional da galáxia.
O levantamento de Andrômeda revela que vários desses remanescentes,
exatamente da forma prevista pela teoria da acreção. “Quando vejo isso, fico
realmente muito feliz”, revela James Bullock, cosmólogo da University of
California, em Irvine, que investigou a estrutura e aparência de resíduos da
formação galáctica. “Esperávamos exatamente isso ─ cadeias de estrelas; evidência clara de que
todos esses eventos de acreção realmente existiram”.
Bullock destaca não ser a primeira vez que encontram evidências ─ na verdade, alguns dos coautores de
McConnachie publicaram evidências de canibalismo galáctico em
Andrômeda, em 2001. Mas cada vez que observamos a galáxia com mais detalhes,
encontramos exemplos mais convincentes. “Você nunca está suficientemente
convencido de sua teoria até ela ser confirmada pela observação”, declara
Bullock. “Por isso, não é nada monótono; ao contrário é muito estimulante.”
A nova investigação também indica que Andrômeda continua crescendo
rapidamente, em escala massiva. O cenário revela uma possível interação
passada entre a galáxia e uma vizinha menor, Triângulo, de acordo com um apêndice
estelar recentemente descoberto, que se estende na direção de Andrômeda. Essa
característica, baseada em simulações feitas pelo grupo, pode ser explicada
por uma aproximação entre as duas galáxias alguns bilhões de anos atrás, que
rasgaram um pedaço do Triangulo.
“Na verdade, é como se ele estivesse sendo destruído por Andrômeda”,
comenta McConnachie, o que seria surpresa dada a distância que separa as duas
galáxias. Se essa afirmação estiver correta, então dentro de alguns bilhões
de anos ─ na mesma época em que Andrômeda
e a Via Láctea deverão colidir ─ Andrômeda terá absorvido totalmente o
Triângulo, dando origem a uma supergaláxia.
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